REVIEW: "X-MEN ORIGENS - WOLVERINE" 1


Assim como foi nos quadrinhos, nos cinemas o mutante Wolverine precisou brilhar ao lado dos X-Men por alguns anos (mesmo sendo o enfoque principal nas aventuras da equipe) para enfim ganhar uma chance de brilhar por si só.

E assim surge X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine), que, dependendo de seu sucesso (entenda-se arrecadação) pode ser o primeiro da linha X-Men Origens, contando as origens dos famosos mutantes. O próximo da lista, se tudo correr bem, é Magneto.

Pegando elementos de quadrinhos famosos como Arma X e Origem, o filme inicia com Wolverine ainda criança e segue sua história até a época do Programa Arma X, quando recebe seu adamantium, retirando e inserindo elementos para adequar a trama à cronologia já previamente instituída na trilogia X-Men.

Antes de tudo, a aventura solo de Wolverine é um grande filme de ação, com algumas ótimas sequências muito bem realizadas. Trailers cheios de mutantes convidados criaram o temor de uma trama confusa, mas a verdade é que a maioria desses personagens aparecem bem pouco na tela.

Até mesmo Deadpool (Ryan Reynolds), que pode ter um filme só seu, não ganhou grande destaque, ao contrário do que foi amplamente divulgado por aí. Quem realmente teve bastante tempo na tela, sendo o personagem mais fiel à sua contraparte quadrinística, foi o cajun Gambit (Taylor Kitsch). Suas vestimentas (mais voltadas à versão Ultimate), seu modo de ser e seus poderes foram perfeitamente retratados.

Hugh Jackman está mais uma vez muito à vontade no papel que o lançou à fama e talvez isso atrapalhe um pouco, afinal este Wolverine é praticamente o mesmo, antes e depois do Programa Arma X. Liev Schreiber está muito bem como Dentes-de-Sabre, sádico e violento na medida certa, com um visual bem mais fiel do que o apresentado no primeiro X-Men, quando o vilão foi interpretado por Tyler Mane. Embora tenha sido muito bom ver o personagem tão bem retratado, fica faltando uma explicação decente para sua aparência e modo de agir animalescos no primeiro X-Men.

Outro bom desempenho do lado dos vilões é o de Danny Huston como William Stryker. Disparando mentiras e falsas promessas tal qual uma metralhadora, o cinismo do personagem acaba até o tornando cativante, por mais contraditório que isso possa soar.

Embora um grande filme de ação, Wolverine deve acabar relevado à categoria “Sessão da Tarde”, já que seu roteiro não é dos melhores e a desvirtuação dos personagens foi pesada. Boas lutas estão distribuídas por todo o filme, de tal modo que, mesmo ele sendo curto, a impressão que fica é de qua muita coisa aconteceu assim mesmo. Cenas como Wolverine participando das guerras da História já surgem como momentos memoráveis.

Mas... Em contrapartida, Wolverine acaba se tornando piedoso demais em alguns momentos, fora as partes em que parece mais com um completo imbecil, tal a facilidade com que é enganado por esquemas simplórios e cheios de furos (furos esses bem mais profundos do que o próprio roteiro). Sem entrar em detalhes, uma das grandes reviravoltas da trama tem base num truque pífio, daqueles que não faz nenhum sentido justamente por causa de suas falhas. Pior ainda: o próprio filme apresenta os meios para que o mesmo plano funcionasse perfeitamente, sem furos, graças aos poderes mutantes de um dos personagens envolvidos. Uma pena que todos os envolvidos na produção não tenham percebido algo que é notado de imediato por boa parte dos espectadores.

Mas, o que incomodará mesmo quem lê as HQs são as intermináveis mudanças nos personagens. São mudanças que vão de nacionalidade, passando por nomes, idade, chegando até aos poderes. Deadpool é o que mais sofre, acabando por se transformar num tipo de amálgama de três personagens. O Agente Zero (Daniel Henney), que deveria ser um alemão, acaba se tornando um oriental, que não demonstra nenhum de seus conhecidos poderes. John Wraith (Will.i.am), embora fisicamente adequado, é um dos mais simpáticos personagens do filme, quando na verdade deveria ser um dos grandes vilões. Blob (Kevin Durand) surge magro (!) para só depois engordar, elemento que acaba também alterando a natureza de seus poderes. Emma Frost (Tahyna Tozzi) é em essência outra personagem, já jovem podendo transformar sua pele em diamante, aparentando ser uma boa moça e tendo um parentesco literalmente tirado da cartola com outro personagem do filme.

Entre muitas outras mudanças, há até um erro de divulgação. Dominic Monaghan vinha sendo há meses apontado como o mutante Bico, quando na verdade interpreta Chris Bradley, um mutante um tanto obscuro, que já foi chamado de Raio, membro dos Novos Guerreiros e, quando de sua morte (nos quadrinhos), atuava como o segundo Maverick (o primeiro foi o Agente Zero).

Alguns mutantes fazem rápidas aparições que nos deixam até mesmo na dúvida se eram eles mesmos. Tentem procurar entre essas rápidas participações personagens como Banshee e Mercúrio. Dois personagens aparecem com algum destaque, mas mesmo assim devem passar despercebidos por muitos. Trata-se do casal Hudson, que nos quadrinhos são grandes amigos de Wolverine, além de serem os falecidos heróis Guardião e Víndix, da Tropa Alfa. No filme, é mais fácil procurar por contrapartes de outro casal ainda mais famoso: Jonathan e Martha Kent. Vale notar que seus nomes passam em branco na trama (um problema que se estende por outros personagens). James Hudson acaba tendo seu nome mudado para Travis Hudson, mas prestando atenção nos detalhes, tudo indica que há um James Hudson por aí, mas o filme faz questão de deixar tudo isso bem obscuro.


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